Títulos de crédito imobiliário mais acessíveis

Especialista veem os papéis com bons olhos, principalmente pela isenção de Imposto de Renda (IR)

Os chamados Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI) e Letras de Crédito Imobiliário (LCI) são papéis que, por muito tempo, foram uma exclusividade dos clientes private de bancos – com mais de um milhão de reais em aplicações – e que começam a ser oferecidos a partir de mil reais e R$10 mil. Especialista veem os papéis com bons olhos, principalmente pela isenção de Imposto de Renda (IR). O alerta fica para a quase impossibilidade de vender os títulos antes do vencimento, o que pode ser um transtorno para quem precisar resgatar o dinheiro.

Simulações mostram que as LCIs são geralmente mais rentáveis do que aplicações em Certificados de Depósito Bancário (CDBs), por exemplo. Quem colocar R$10 mil numa LCI que remunere 90% do CDI (Certificado de Depósito Interbancário, média da taxa dos empréstimos entre os bancos) vai ter um ganho líquido de cerca de R$1 mil em 12 meses. Já um CDB que pague 100% do CDI, ou seja, uma taxa ainda maior, terá um ganho líquido de R$888 em um ano.

– Essa diferença existe por causa do Imposto de Renda, que é o grande diferencial dessas aplicações. Enquanto as LCIs são isentas do imposto, o Leão pode morder até 22,5% dos ganhos dos CDBs – explica Gilberto Braga, professor de finanças do Ibmec/Rio. – Os papéis são atraentes e estão cada vez mais perto do pequeno investidor por causa da necessidade dos bancos de levantar dinheiro para financiar o crédito imobiliário.

Garantia de R$70 mil pelo Fundo Garantidor de Crédito
As LCIs são emitidas por bancos com base nos créditos que eles têm a receber de imóveis já financiados. Quando vendem esses títulos, os recursos captados são usados para bancar novos financiamentos. Os papéis têm prazos de dois meses a dois anos. O investidor só recebe o que investiu acrescido de juros quando os títulos vencem.

No embalo do mercado imobiliário, o estoque de LCIs emitidas no mercado cresceu 78,2% nos últimos 12 meses, para R$38 bilhões.

Segundo Bruno Carvalho, especialista em renda fixa da XP Investimentos, os papéis mais acessíveis são oferecidos por bancos de médio porte. Com mil reais aplicados por seis meses, o investidor já consegue uma remuneração de 90% do CDI. Por serem de bancos médios, os títulos são mais arriscados. Mas em caso de falência do banco, o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) restitui o investidor até R$70 mil por CPF.

Quanto mais longo for o papel, melhor a taxa oferecida. E com o momento ruim da Bolsa de Valores e o aumento dos juros, os investidores buscam cada vez mais esses títulos no mercado – afirma o especialista da XP.

Já o CRI tem chegado às mãos dos pequenos investidores principalmente pela Caixa Econômica Federal, maior fonte do crédito habitacional do país. Os papéis, que sempre foram oferecidos por mais de R$300 mil ao mercado, chegaram em março, pela primeira vez, às agência do banco com investimento mínimo de R$10 mil. Os títulos tinham prazo de vencimento em novembro de 2018 e remuneravam Taxa Referencial (TR) mais 10% ao ano. Para se ter uma ideia, a poupança rende TR mais 6% ao ano.


Fonte: O Globo, Bruno Villas Bôas, 14/07/2011

Comments
One Response to “Títulos de crédito imobiliário mais acessíveis”
  1. Gostei muito do seu blog🙂 Partilhado. Abra�o

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